
"Pais choram as mortes dos filhos no Parque União"
Vemos manchetes desse tipo se repetir todos os dias nos telejornais. Um verdadeiro campo de batalha o meu Rio de Janeiro se tornou. Vemos e revemos toda semana famílias sendo dilaceradas pela violência que assola esta cidade e, apáticos, simplesmente lamentamos, à espera do próximo capítulo. Nem nos indignamos mais, achamos tudo nornal!!! Essas tragédias, nem destaque, nem ibope está dando aos telejornais. As pessoas olham, lêem onde ocorreu e soltam: "o Rio tá demais".
A verdade é que não sentimos ainda a ferida que essa guerra está causando, em alguém próximo a gente (graças a Deus!), e isso nos faz pensar que estamos distantes, bem longe dessa luta armada.
Agora, imaginem a dor dessas famílias vitimadas por essa desordem urbana. Imaginem como deve ser duro para a família do João Roberto, que com apenas 3 anos, teve a vida interrompida de forma brutal, sem direito a defesa. E o menino Matheus, de 8 anos (Jesus!!! Da idade do meu filho) que caminhava em direção à padaria para comprar pão e ao colocar seu rosto inocente na rua levou um tiro de fuzil na nuca. A bala entrou pela nuca, saiu pelo rosto deixando-o totalmente desfigurado. Como vai ser o Natal dessa mãe? Enquanto ela se desesperava, a cúpula da Polícia Militar ia a público dizendo que os disparos não foram efetuados pela polícia e sim pelos bandidos. Mas não é essa a questão!! No momento não interessa saber quem apertou o gatilho e sim evitar que mais pessoas inocentes, ou não, sejam mortas e arranjar uma solução para trazer de volta àqueles que vivem à margem da sociedade para dentro dela e dar condições a essas pessoas de exercerem o seu direito de ir e vir.
Olhem bem a foto acima. Note a feição de frieza, de desdém do PM ao passar ao lado de uma mãe em prantos pela morte do seu filho. Bandido, ou não, a dor dessa mãe deve ser a maior do mundo. Isso não pode continuar assim!!! Nessa operação, ocorrida hoje, morreram 4 pessoas, dentre elas, Larissa, de 14 anos.
Vivenciamos um verdadeiro filme de terror, e estatelados, nos adaptamos a essa vida selvagem, onde essa violência urbana, segundo estudos, já matou mais que a guerra oficial no Oriente Médio.
E o meu medo é descobrir que ainda não chegamos ao fundo do poço...

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